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Marabá, Sábado, 27 de maio de 2017
PC tem imagens de assassino de prefeito
18/05/2017 - 08:11

A delegada adjunta de Polícia Civil, Christiane Ferreira, informou em entrevista coletiva concedida em Belém nesta quarta-feira (17) que a Polícia Civil já possui imagens do responsável pelo tiro que tirou a vida do prefeito de Breu Branco, Diego Kolling, 34 anos, conhecido como “Diego do Alemão”, desferido na manhã de terça (16). O administrador pedalava com dois amigos, por volta das 7h30, quando foi alvejado no peito na Rodovia PA-263, que liga os municípios de Goianésia do Pará e Tucuruí, na região sudeste.

De acordo com a delegada, logo após ser comunicada a morte, foram iniciadas as investigações. “Daremos uma resposta imediata e temos já imagens do autor deste crime. Ao iniciarmos a investigação, fizemos o levantamento da chegada e saída da (Rodovia) PA e temos essa imagem, então logo daremos uma resposta a este crime”, diz.

Apesar da visão positiva do caso, a Polícia Civil afirma que ainda não há linha de investigação, que não descarta qualquer possibilidade relacionada ao homicídio e que provavelmente não se tratou de crime de latrocínio, uma vez que nenhum objeto da vítima foi roubado e não houve anúncio de assalto.

“Em primeiro moimento se presume que foi uma execução, pelas características. Ele estava realizando atividade física em companhia de dois amigos e o autor estaria em uma motocicleta. Iniciamos imediatamente a investigação, temos inquérito tombado e estamos com reforço nas investigações da Divisão de Homicídio de Belém que assumiu a investigação”, comentou, destacando a projeção do caso.

“O que ocorre de pior nisso tudo é a audácia do autor deste crime que não fere somente a pessoa do prefeito, que infelizmente veio a óbito, mas todo o sistema democrático de direito, pois foi ceifada a vida de um representante municipal”, diz, acrescentando que não há qualquer registro policial em nome do prefeito, nem relatando ameaças sofridas.

“Não tem indício de latrocínio e sim de execução, a investigação está no início e podemos ter outros rumos. Fizemos levantamentos no sistema para saber se a vítima já possuía alguma ameaça sofrida, não havia nada, pessoa altamente correta, sem qualquer envolvimento ou denúncia acerca de vitimização de algum crime, estamos levantando qualquer possibilidade”.

Por fim, informou que já foram colhidos depoimentos das testemunhas oculares do crime, estão sendo analisadas as imagens coletadas e foram realizadas as perícias no corpo e no local onde o baleamento aconteceu. “As perícias estão sendo levantadas para subsidiar nossa investigação, para termos materialidade e a resposta, não apenas com a prisão, mas também responsabilização na esfera judicial”.

Participou da coletiva, ainda, o secretário de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), Jeannot Jansen, que também à imprensa acerca das imagens e das possibilidades de investigação do caso. “Há imagens, havia duas pessoas em uma motocicleta com capacete, mas é preferível não emitir nenhum juízo a respeito ainda, estamos na fase inicial das investigações. As informações do que ocorreu ainda são muito escassas”, comentou.

Ele ressaltou que foi encaminhado um aparato policial – com reforço do policiamento da Polícia Militar e equipe da Polícia Civil para investigar o crime – para dar maior celeridade às investigações. “O delegado geral também foi analisar a situação in loco e dois peritos encaminhados para fazerem o levantamento do crime”.

Acrescentou que a Polícia Civil não descarta a possibilidade de a morte ter sido um crime político. “Em todo homicídio a sociedade exige resposta e este impacta muito mais devido ser o chefe do Poder Executivo Municipal, uma figura eminente e todos nós ficamos estarrecidos. Pode ter havido, é possível ter havido motivação política, precisamos estar atentos à isso. Não descartamos nenhuma linha de ação”, comentou.

Prefeito chegou a ser socorrido, mas não resistiu

Assim que foi alvejado por um único disparo que atingiu o peito, o prefeito Diego Kolling, filiado ao PSD foi socorrido e encaminhado à Unidade de Pronto Atendimento do município de Breu Branco. No entanto, ele não resistiu ao ferimento e morreu logo em seguida. De lá, o corpo foi removido para o Instituto Médico Legal (IML) de Tucuruí, onde passou por exame de necropsia e foi liberado na mesma manhã.

O policiamento militar na cidade foi prontamente reforçado e enquanto o corpo do prefeito ainda estava na UPA – que teve as portas trancadas - vários moradores começaram a se aglomerar em frente ao prédio, em busca de informações. Ao receberem a notícia, muitos se comoveram com a morte do administrador.

“Muito triste. A gente nem sabe o que dizer, não tenho palavras. Era uma pessoa humilde, se dava com todos, não era pessoa do mal, todo mundo gostava dele aqui e ninguém falava mal dele, era pessoa simples", lamentou em entrevista ao SBT Uruará a moradora Edite Araújo. À mesma emissora o vereador Hildeblano de Souza Azevedo, presidente da Câmara Municipal da cidade, concedeu entrevista, cobrando respostas.

“Vamos aguardas os trabalhos da polícia, a investigação, para a gente também entender essa situação porque era pessoa com caráter extremamente limpo em nosso município, um governo que sempre prezou pelo nome que tem, trabalhou com transparência. Nem esse crime e nenhum outro pode ficar sem resposta, tem que ter resposta”, disse, acrescentando que políticos da cidade se reuniram com o secretário de Segurança pedindo atenção para a região.

“É um caso que pega todos nós de surpresa porque ninguém esperava por isso, nunca esperamos a violência chegar à essa situação no nosso município. A gente sempre trabalhou muito forte para que as famílias da cidade estivessem em segurança e inclusive a gente que está sempre na luta pela população", declarou.

O promotor Francisco Charles também comentou o crime. “Fomos pegos de surpresa pela manhã com a informação que o Diego havia sido alvejado com disparos, não sabemos detalhes ainda. Queremos dizer para a população que estamos estarrecidos como autoridade e como cidadãos que temos família nesta região. Quero garantir para a população e para a família que o estado está engajado para tentar dar uma solução para o caso o mais rápido possível”.

O Partido Social Democrático do Estado do Pará – PSD/PA – emitiu nota manifestando o profundo pesar e se solidarizando com os familiares e amigos do prefeito e afirmando que irá cobrar providências: “O Partido Social Democrático do Estado do Pará – PSD/PA – através de seus dirigentes, deputados federais, deputados estaduais e vereadores EXIGE do governo do Estado do Pará a imediata apuração e prisão dos responsáveis por essa abominável atrocidade”.

Em janeiro do ano passado, o prefeito de Goianésia do Pará, a 94 quilômetros de Breu Branco, também foi assassinado. José Ernesto da Silva Branco, do Partido Humanista da Solidariedade (PHS), de 46 anos, estava em um velório quando foi executado a tiros.

Mensagens em grupos de WhatsApp replicam boatos

Assim que o prefeito municipal foi baleado, antes mesmo de ser confirmada a morte, a notícia se espalhou rapidamente por grupos de WhatsApp, alcançando todo o estado. Dentre as informações divulgadas, muitos boatos, inclusive apontando possíveis suspeitos, afirmando que já havia pessoas presas e destacando até o valor que havia sido pago pela execução do crime.

As assessorias de comunicação da Segup e da Polícia Civil, no entanto, desmentiram diversas mensagens e o secretário de segurança pública falou a respeito. “Aproveito a oportunidade para dizer que em época de WhatsApo é muito comum ocorrerem informações que não procedem. Já há várias dizendo que já foram identificados autores, mandantes, pagamento do crime, mas nada disso é real”.

Um cartaz contendo dados e uma foto de um dos ex-prefeitos da cidade chegou a ser veiculada com os dizeres “procura-se”, sendo atribuído à Polícia Federal e Interpol, o que a própria PF desmentiu, por meio da Superintendência Regional da Polícia Federal no Pará. Em relação à boatos envolvendo o vice-prefeito, Francisco Garcez da Costa, convocado para assumir a administração municipal, o secretário estadual também se posicionou. “Em relação ao vice, não há nada a respeito levantado, estamos em uma fase preliminar ainda e até a gente fica ansioso para ter linha de investigação, mas nada de significativo ainda há”.

(Luciana Marschall)

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